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26/10/2018

Bancos demitiram quase 25 mil de janeiro a setembro

As instituições bancárias demitiram 24.025 trabalhadores nos nove primeiros meses de 2018, segundo análise elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nas informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Entre janeiro e setembro deste ano, os bancos já eliminaram 1.741 postos de trabalho em todo o país, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Ao todo, foram 22.284 admissões e 24.025 desligamentos nos nove primeiros meses de 2018.

Os bancos múltiplos com carteira comercial (entre eles Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) foram responsáveis pelo fechamento de 870 postos no período. A Caixa, por sua vez, eliminou 1.021 vagas de janeiro a setembro. Juntos, estes cinco bancos empregam cerca de 90% dos bancários no país e lucraram, somente no primeiro semestre, R$ 41,9 bilhões, crescimento de 17,8% em relação ao mesmo período de 2017.

“O saldo negativo de contratações contrasta com o lucro sempre crescente dos bancos. Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa, que já divulgaram seus balanços semestrais, apresentaram resultados bem acima do que tiveram no mesmo período de 2017, ano em que já tiveram lucros recordes. Não existe qualquer justificativa para esse número de cortes. Como concessões públicas, os bancos deveriam ter responsabilidade social”, critica a diretora do Sindicato de SP, Marta Soares.

Rotatividade
Além de economizar com o corte de postos de trabalho, os bancos também encontraram na rotatividade uma forma de reduzir a remuneração média no setor e maximizar ganhos. De janeiro a setembro, os bancários admitidos recebiam, em média, R$ 4.272, enquanto desligados tinham remuneração média de R$ 6.525. Ou seja, a remuneração dos admitidos correspondeu a apenas 65% do salário médio dos que deixaram o setor.

Desigualdade entre homens e mulheres
Os dados do Caged também revelam a desigualdade de gênero na remuneração do trabalhador bancário. As 10.726 mulheres admitidas no setor entre janeiro e setembro recebem, em média, R$ 3.587, valor que corresponde a 73% da remuneração média dos 11.558 homens admitidos (R$ 4.907) no mesmo período.

Entre os desligados, a desigualdade de gênero também se revela. As 11.900 mulheres desligadas dos bancos recebiam, em média, R$ 5.585, 75% da remuneração média dos 12.125 homens (R$ 7.449) desligados entre janeiro e setembro.

“Na propaganda dos bancos tudo é lindo e o respeito e o empoderamento das mulheres são constantemente mencionados. Porém, na vida real, os dados do Caged mostram que mulheres entram no setor ganhando menos que os homens e, uma vez dentro, possuem maiores obstáculos para subirem na carreira. A igualdade de oportunidades no setor é uma luta histórica e fundamental para o movimento sindical”, conclui Marta. (Fonte: Seeb SP)


24/10/2018

Fenae lança campanha contra a privatização da Caixa

O governo tenta incessantemente privatizar a Caixa Econômica Federal. Isso significa reduzir e enfraquecer o banco público e o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.  Para a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) a privatização Não Tem Sentido. É com base nessa afirmação e com esse mote, que a entidade lançou a campanha para defender a Caixa 100% Pública.

O site do movimento recebe e publica depoimentos de toda a população sobre a importância da Caixa para o desenvolvimento do país.  “Não tem sentido a sociedade brasileira abrir mão de uma empresa tão importante como a Caixa. Por isso, nós, todos os trabalhadores da Caixa e trabalhadores brasileiros, queremos que a Caixa continue firme e forte como ela está: uma empresa dedicada que tem um papel importantíssimo na sociedade brasileira”, afirmou Jair Ferreira, presidente da Fenae, em um dos depoimentos publicados no site da campanha.

Com 157 anos de história, a Caixa exerce um papel fundamental no desenvolvimento do país com a realização de financiamentos habitacional, de saneamento e de obras públicas, além de oferecer programas sociais inovadores e eficientes, como: o Programa de Integração Social (PIS), Seguro-Desemprego, Bolsa Família, FIES e o Minha Casa Minha Vida.  O banco também é responsável pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

De acordo com Sergio Takemoto, vice-presidente da Fenae, cerca de 75% das moradias hoje no Brasil são ou foram financiadas pela Caixa. “A Caixa é, historicamente, o banco da habitação. Reduzir o acesso ao financiamento da casa própria significa diminuir a função pública e social do banco”, disse.

A representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, afirma que é preciso combater a privatização, que só visa beneficiar os empresários. “Não tem sentido manter a Caixa pública, que é uma conquista dos trabalhadores, e ao mesmo tempo ter uma iniciativa da direção do governo de privatizar a gestão da Caixa. Isso desvaloriza a carreira, os empregados e coloca a direção da empresa sob os interesses privados. É uma outra modalidade de privatização que precisamos combater juntos”, enfatizou.

Para participar da campanha, é preciso entrar no site www.naotemsentido.com.br e enviar um vídeo de até 15 segundos com uma mensagem dizendo por qual motivo a Caixa não pode ser privatizada. Compartilhe o seu recado com o Brasil e ajude a defender a Caixa. (Fonte: Fenae)


24/10/2018

Caixa prepara novo PDE

A Caixa Econômica Federal vai reabrir em novembro o Programa de Desligamento do Empregado (PDE). Lançado em fevereiro, cerca de 1,3 mil bancários aderiram ao programa. Nessa etapa, o Banco acredita que outros 1,6 mil trabalhadores poderão aderir.

A direção do banco tomou a decisão de reabrir o PDE na semana passada. Pesou a favor da decisão, o fato de já ter autorização dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e orçamento aprovado para pagar as indenizações.

O banco aguarda apenas o fim do período eleitoral para dar início a reabertura do programa.

CONDIÇÕES PARA ADESÃO

Como se trata de uma reabertura, as condições para aderir ao PDE são as mesmas de fevereiro:

– aposentados pelo INSS até a data do desligamento, com exceção de aposentados por invalidez;

– que estejam aptos a se aposentarem pelo INSS até 31 de dezembro deste ano;

– com no mínimo 15 anos de trabalho na Caixa até a data do desligamento;

– com adicional de incorporação de função de confiança ou cargo em comissão/função gratificada até a data de desligamento.

Apenas os prazos para cumprimento de algumas das exigências serão ajustados.

Os bancários que aderirem ao plano receberão indenização de 9,8 salários base limitado a R$ 490 mil. O pagamento será feito em parcela única até 10 dias após o desligamento. Como se trata de indenização, não é cobrado imposto de renda sobre esse valor.

SAÚDE CAIXA
Inicialmente, o Saúde Caixa estaria garantido para os empregados se aposentassem até 31 de dezembro e aderissem ao PDE. Essa data será alterada. Os bancários que não tivessem aposentados, poderiam manter o plano por até 24 meses sem a possibilidade de prorrogação. (Fonte: Contec)


22/10/2018

ANS retira suspensão do Saúde Caixa


 

Agência reguladora confirma que situação do plano está normalizada para entrada de novos usuários. Plano está em 2º lugar no ranking de reclamações

 

Voltou ao normal a situação do Saúde Caixa, após a Fenae e o Conselho de Usuários terem denunciado a suspensão do plano pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Devido à restrição, muitos dependentes de usuários deixaram de ser incluídos no plano. A situação se regularizou depois que a Caixa melhorou a estrutura na Central de Atendimento e o número de reclamações diminuiu.

 

Em nota, a ANS confirma que a Caixa “não tem, no momento, nenhum produto com comercialização suspensa pelo Programa de Monitoramento da Garantia de Atendimento”. Esse programa é realizado a cada três meses pelo órgão regulador e se baseia nas reclamações de usuários sobre problemas relacionados à cobertura assistencial, como negativas de atendimento ou descumprimento de prazos máximos para a realização de consultas, exames e cirurgias. A ANS também informa que a Caixa não se encontra sob regime especial, situação em que ocorre intervenção na gestão de uma operadora.

 

Ranking de reclamações

Depois de passar mais de seis meses no topo do ranking de reclamações da ANS, o Saúde Caixa chegou a descer para a terceira colocação e agora está em segundo lugar, atrás da PoStal Saúde, do pessoal dos Correios. O índice atual do Saúde Caixa é 7,04, enquanto a média geral do setor é 2,66.

 

Saúde Caixa é “plano antigo”

Contudo, o usuário que consultar o site da ANS ainda encontrará a informação de que o Saúde Caixa estaria suspenso. Isto ocorre porque a Caixa se registrou na ANS em 21/12/1998 e registrou apenas um plano que, conforme a legislação, é considerado “antigo”. Planos antigos são aqueles registrados antes do início da vigência da Lei 9656, que começou a vigorar em janeiro de 1999. Aos olhos da ANS, o Saúde Caixa é um plano antigo, logo não pode ser comercializado. No caso das autogestões, como não há comercialização de planos, caso o regulamento tenha sido adaptado à lei, o ingresso de novos usuários é autorizado.

 

A Caixa não esclarece por que mantém o Saúde Caixa como um plano antigo, embora a assistência siga todas as determinações da regulação, como o Rol de Procedimentos, por exemplo. Dados da ANS mostram que a presença dos planos antigos no setor é cada vez menor. No mercado somente 9% dos usuários estão em planos antigos. Nas autogestões, somente 37,8%. (Fonte: Fenae)



22/10/2018

13º vai injetar R$ 211,2 bi na economia

Cerca de 84,5 milhões de brasileiros vão receber o rendimento extra. Valor médio é estimado em R$ 2.320.

 

O pagamento do 13º salário deve injetar R$ 211,2 bilhões na economia brasileira até dezembro deste ano, segundo estimativa divulgada nesta quinta-feira (18) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A quantia equivale a cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

 

Cerca de 84,5 milhões de brasileiros receberão o rendimento adicional, pago aos trabalhadores com carteira assinada (incluindo os domésticos), aposentados e pensionistas da Previdência Social, União, estados e municípios.

 

O número de beneficiários é 0,6% maior do que o calculado para 2017. Em relação ao montante que será injetado na economia, o valor cresceu 2,8% neste ano sem considerar a inflação.

 

O valor médio do 13º salário que será pago em 2018 é estimado em R$ 2.320.

 

Distribuição

Do valor total, R$ 139,4 bilhões (66%) serão pagos a trabalhadores formalizados, grupo que soma 48,7 milhões de pessoas, ou 57,6% do total. Os outros R$ 71,8 bilhões (34%) serão pagos aos aposentados e pensionistas dos diferentes tipos de regime, que reúne um contingente de 35,8 milhões de brasileiros. Somente os aposentados ou pensionistas da Previdência Social (INSS) representam 34,8 milhões.

 

O Dieese explica que o cálculo do impacto do pagamento do 13º na economia "não leva em conta trabalhadores autônomos, assalariados sem carteira ou trabalhadores com outras formas de inserção no mercado de trabalho que, eventualmente, recebem algum tipo de abono de fim de ano".

 

Por região e setores

Cerca de metade dos recursos do 13º salário (49,1%) deve ficar nos estados do Sudeste, o que reflete a maior capacidade econômica da região que concentra a maioria dos empregos formais, de aposentados e pensionistas. No Sul do país devem ser pagos 16,6% do total, enquanto ao Nordeste serão destinados 16%. Para as regiões Centro-Oeste e Norte irão, respectivamente, 8,9% e 4,7%.

 

Na distribuição por setor, os trabalhadores do ramo de serviços (incluindo administração pública), ficarão com 64,1% dos recursos que serão pagos no mercado formal. Os empregados da indústria receberão 17,4%. Na sequência, aparece os do comércio (13,3%), da construção civil (3,1%) e da agropecuária (2,1%).

 

Em termos médios, o valor do 13º salário do setor formal corresponde a R$ 2.927,21. A maior média deve ser paga no setor de serviços (3.338,81), seguido por indústria (R$ 3.035,61).

 

Educação Financeira: entenda melhor o pagamento do 13º salário

 

Calendário de pagamentos

O pagamento do 13º geralmente é feito em duas parcelas. Por lei, a primeira deve ser depositada até 30 de novembro. O prazo máximo para a empresa depositar a segunda é no dia 20 de dezembro. Quem trabalhou o ano todo ganha um salário cheio. Aqueles que foram contratados ao longo do ano vão receber um valor proporcional ao tempo de empresa.

 

Para aposentados e pensionistas do INSS, a primeira parcela do 13º salário foi paga entre agosto e setembro. Já segunda parcela do 13º será paga junto com os benefícios de novembro. (Fonte: G1)



17/10/2018

Reforma trabalhista não melhorou contratação para 61% de pequenas empresas

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Prestes a completar um ano, a reforma trabalhista, que entrou em vigor em novembro de 2017, não fez nenhuma diferença ou piorou a situação para a maior parte dos pequenos e médios empresários do país em relação a contratações ou demissões. É o que aponta levantamento do Insper com o banco Santander.

Segundo a pesquisa, 61% dos empreendedores consideram que a reforma não teve nenhuma influência ou influenciou negativa ou muito negativamente na qualidade de suas decisões de contratação ou demissão de funcionários (49,39% consideram que não houve influência; 9,32% dizem que houve influência negativa; 2,35% afirmam que a influência foi muito negativa).

Para 39%, houve influência positiva ou muito positiva (segundo 27,05%, foi positiva; para 11,89% , foi muito positiva).

Na época da reforma, o governo previa que ela facilitaria contratações, combateria o desemprego e melhoraria a economia.

Para outros 11,67%, as novas regras afetaram negativamente (9,32%) ou muito negativamente (2,35%) as condições que envolvem a admissão ou demissão de colaboradores.

Para 38,94% dos entrevistados, as condições ficaram melhores desde a reforma: 27,05% responderam que a nova legislação afetou positivamente suas decisões de contratação e, para 11,89%, os efeitos foram muito positivos.

Trabalho intermitente e terceirização
Criação do trabalho intermitente (em que os trabalhadores podem ser contratados apenas por períodos específicos) e maior flexibilidade na contratação de autônomos para trabalhos fixos estão entre as mudanças promovidas pela reforma trabalhista.

Poucos antes da reforma, também foi aprovada a contratação irrestrita de terceirizados –até então, só era permitido terceirizar atividades que não tinham a ver com o negócio central da empresa, como limpeza ou segurança, por exemplo.

Fonte: UOL

Diretoria Executiva da CONTEC



16/10/2018

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15/10/2018

JUROS E TARIFAS ALTAS GARANTEM LUCRO DE R$ 42 BILHÕES A BANCOS

Os cinco maiores bancos do país ampliaram seus lucros mesmo em um cenário de recessão econômica. Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa Econômica Federal, juntos, alcançaram o lucro líquido de R$ 41,9 bilhões no primeiro semestre de 2018.

O número representa um avanço de 17,8% em um ano. O total de ativos destas instituições bancárias alcançou R$ 6,2 trilhões, o que equivale a um crescimento de 3,8% em relação a junho de 2017.

A 14ª edição do estudo Desempenho dos Bancos foi produzida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e divulgado nesta quarta-feira (3).

Outros setores
Os resultados das instituições financeiras foram superiores aos apresentados por empresas de outros setores no país. A economista do Dieese Catia Uehara explica que os juros elevados, as tarifas altas e o fechamento de postos de trabalho garantiram os resultados positivos dos bancos.

"No primeiro semestre de 2018, mesmo em uma conjuntura ainda bastante adversa, com uma recessão ainda prolongada, com sinal de crescimento econômico efetivo, os bancos continuam tendo resultado bastante expressivos", pontua Uehara.

"Não houve uma resposta importante no sentido de reduzir taxa de juros bancárias, mesmo com a queda da Selic, as taxas continuam extremamente elevadas, principalmente para pessoa física."

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira usada para controlar a inflação. O Comitê de Política Monetária manteve a taxa inalterada em 6,5% ao ano, menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. Mas, apesar de estar em queda desde outubro de 2016, os juros aos clientes bancários não caíram na mesma proporção.

A economista Leda Paulani, professora de economia da USP, refuta a ideia de que a taxa de juros praticada pelos bancos é muito alta no Brasil porque os credores não têm garantias. Para ela, os juros cobrados no país são "absolutamente distorcidos".

"Isso, na verdade, reflete o enorme poder que essa fração bancário-financeira dos interesses burgueses tem no Brasil há muito tempo. Isso não se reduz aos bancos: o sistema financeiro é muito mais do que só os bancos, mas eles são o elemento que mais se destaca", afirma.

Números
O Itaú Unibanco, maior banco do país, teve uma alta de 6,5% no total de ativos no último ano, alcançando R$ 1,54 trilhão. No mesmo período, os ativos do Banco do Brasil ficaram praticamente estáveis, totalizando R$ 1,45 trilhão. No Bradesco, os ativos cresceram 4,2%, chegando a R$ 1,24 trilhão. Já o Santander, por sua vez, apresentou o maior crescimento: 13,2% e atingiu R$ 739,1 bilhões.

A Caixa foi a única instituição bancária com queda nos ativos, em relação a junho de 2017, com redução de 0,4%. O banco público chegou a R$ 1,27 trilhão em ativos.

Redução de postos de trabalho
De acordo com a Catia Uehara, outro fator que também explica o aumento do lucro dos bancos é a reestruturação das despesas de pessoal.

Caixa e Bradesco, por exemplo, já sentiram os reflexos de Programas de Desligamento Voluntário (PDV), implementado em julho 2017, após a aprovação da Reforma Trabalhista. Ao todo, nos cinco bancos, houve o fechamento de mais de 7 mil postos de trabalho.

"Isso é mais do que demissão. É redução de postos de trabalho decorrente de alguns planos de demissão voluntária que foram realizados de 2017 para cá. E também redução do número de agências", aponta a economista.

Novas tecnologias
"Além disso, o estudo também faz uma abordagem acerca das introduções das novas tecnologias dentro dos bancos, principalmente o mobile bank, o que faz com que os bancos consigam fazer essa reestruturação com base em redução de agências e redução de postos de trabalho." (Fonte: Brasil de Fato)


04/10/2018

1 em cada 3 trabalhadores da Caixa teve problemas de saúde




Pesquisa revela adoecimento crônico de bancários da Caixa e mostra que mais da metade já sofreu ao menos uma situação de assédio moral

Um em cada três trabalhadores da Caixa Econômica Federal teve algum problema de saúde relacionado ao trabalho nos últimos 12 meses. Doenças psicológicas e causadas por estresse representam 60,5% dos problemas que afetam bancários e bancárias.

Entre os que adoeceram, 53% precisaram recorrer a algum medicamento e 10,6% relataram depressão. Os remédios mais usados foram os antidepressivos e ansiolíticos (35,3%), anti-inflamatórios (14,3%) e analgésicos (7,6%). Além disso, mais da metade (53,6%) alegou ter passado por ao menos uma situação de assédio moral.

Questões relacionadas à gestão do banco estão entre as principais causas de adoecimento. Do total de entrevistados, 58% se dizem sobrecarregados, 16,3% alegam que falta de pessoal é o principal motivo dos problemas e insatisfação no local de trabalho, e 16% se queixam da cobrança excessiva por metas.

Os dados fazem parte da pesquisa inédita ‘Saúde do Trabalhador da Caixa’, encomendada pela Federação Nacional dos Associados da Caixa Econômica Federal (Fenae) e realizada pelo Instituto FSB Pesquisa, que ouviu dois mil trabalhadores e trabalhadoras entre os dias 2 e 30 de maio.

Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, os resultados da pesquisa revelam o quanto a sobrecarga de trabalho e a ausência de uma política de saúde do trabalhador estão prejudicando a vida de milhares de pessoas e provocando um verdadeiro quadro de adoecimento crônico na categoria.

“Os dados confirmam o que nós estamos denunciando em relação à sobrecarga de trabalho e falta de empregados suficientes para atender as demandas dos clientes”.

Com os planos de incentivo e desligamento de empregados, diz Jair, a Caixa já reduziu 15 mil postos de trabalhos sem nenhuma substituição e fechou diversas agências bancárias pelo país. De 2014 até hoje, a Caixa passou de 101 mil empregados para 86.500.

“As pessoas estão trabalhando cada vez mais sob pressão para cumprir metas, com medo de reduzir a remuneração e tudo isso leva ao adoecimento”.

A pesquisa foi apresentada ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que, segundo a Fenae, está analisando os dados e avaliando quais providências devem ser tomadas. A entidade também encaminhou o material à Comissão Executiva de Empregados da Caixa (CEE/Caixa) para que o assunto seja pautado na mesa de negociação permanente.

Mais da metade já sofreu assédio moral
Os resultados da pesquisa mostram o peso do “assédio moral institucional”, denuncia o documento divulgado pela Fenae.

Foram feitas perguntas sobre uma série de situações típicas de assédio moral na relação com a chefia direta do banco, tais como demanda excessiva por trabalho, pressão, atribuição indevida de erros, ameaças, gritos, entre outras situações constrangedoras.

Mais da metade dos entrevistados (53,6%) disse ter passado por ao menos um desses episódios e 81,3% dos entrevistados afirmaram que essas situações ocorrem também com outros colegas.

Muitos trabalhadores e trabalhadoras também abordaram o assunto suicídio ao serem entrevistados e 46,9% tiveram conhecimento de algum episódio entre os empregados da Caixa.

Subnotificação e negligência
A subnotificação dos acidentes de trabalho foi um dos problemas constatado na pesquisa. A maioria dos casos não foi formalizada junto à Caixa. Apenas 4,4% dos que tiveram algum problema de saúde relacionado ao trabalho relatam que a Caixa emitiu Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

Do total de dois mil entrevistados, aproximadamente 8% disseram já ter entrado com licença médica por problemas de saúde mental e ficaram, em média, 125 dias afastados. Entre eles, somente 13,6% tiveram emissão de CAT.

Segundo Fabiana Matheus, diretora de Saúde e Previdência da Fenae, a Caixa sonega as informações que o banco é obrigado por lei a notificar aos órgãos de governo.

Além disso, diz a dirigente, a Caixa não investe em uma política consistente de saúde do trabalhador. “Milhares de pessoas estão adoecendo dentro do banco e nós precisamos denunciar isso”.

Quem trabalha nas agências sofre mais
Os bancários e bancárias que atuam nas agências apresentam mais problemas de saúde e estão mais sobrecarregados. Entre os que trabalham nas agências, 36,4% disseram que tiveram problemas de saúde relacionados ao trabalho nos últimos 12 meses e 66,2% alegaram sobrecarga de trabalho.

Já entre os que atuam nas unidades administrativas, 26,5% tiveram problemas de saúde e 41,2% disseram estar sobrecarregados.

A subnotificação também é maior nas agências, onde a emissão de CAT só ocorreu em 3,5% dos casos. Nas áreas administrativas, os comunicados foram emitidos em 6,8% das situações.

Sobrecarga, estresse e vida pessoal
A pesquisa elaborou um índice de estresse no trabalho que considera de 0 a 10 o nível de estresse dos trabalhadores. O resultado mostra que 26,3% dos entrevistados apresentam um nível de estresse entre 7 e 10.

Já o grau de interferência negativa do trabalho na vida pessoal é classificado entre 7 e 10 para 27,1% dos entrevistados. “Isso revela o quanto o adoecimento crônico provocado pela gestão da Caixa não atinge apenas os empregados, mas afeta também os núcleos familiares, multiplicando o impacto nocivo sobre a sociedade”, critica a diretora da Fenae.

Confira aqui os dados da pesquisa. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. (Fonte: Fenae)



03/10/2018

Caixa e Banco do Brasil cortam 21,2 mil empregados

A saída dos funcionários faz parte da estratégia de redução de estrutura e custos, e gerará uma economia de 2,5 bilhões de reais por ano

Bancos públicos diminuíram a folha de pagamento em 21,2 mil empregados nos últimos dois anos. O corte faz parte do esforço do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal em reduzir custos e tornar a estrutura mais parecida com a dos bancos privados. A saída dos empregados deve gerar economia de pelo menos R$ 2,5 bilhões por ano aos dois bancos.

Após operar com mais de 114 mil empregados no início da década, o BB que já foi símbolo de emprego estável começou a agir para reduzir o quadro de funcionários.

Ações como o incentivo à aposentadoria e mudança na estrutura de atendimento resultaram na saída de mais de 16 mil pessoas, sendo quase 12 mil apenas nos últimos dois anos, quando o quadro diminuiu em 10,9%. Na Caixa, um plano de demissão voluntária resultou na saída de 9,2 mil pessoas, queda de 9,7%.

Nesses dois anos, os concorrentes privados foram em sentido contrário. Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander aumentaram a folha de pagamento em 11,3 mil empregados no mesmo período. Boa parte desse aumento se deve a aquisições, como a compra do HSBC pelo Bradesco.

Bancos públicos argumentam que a redução do quadro de funcionários é uma reação à transformação do setor. O BB diz que a medida busca “a sustentabilidade da empresa em um mercado em profunda transformação”.

A Caixa diz que o objetivo é “ajustar a estrutura ao cenário competitivo e econômico atual, buscando mais eficiência do banco”. Nesse esforço, sobrou até para o estagiário. No BB, o número despencou em 60% em dois anos com o desligamento de 2,8 mil estagiários. Na Caixa, o corte foi de 30%.

Lucro
A busca pela eficiência significa, na prática, aumentar o lucro. O BB estima que só o plano de aposentadoria incentivada, que teve adesão de 9,4 mil, gerou redução de custos em cerca de R$ 2,3 bilhões por ano. Na Caixa, onde 9,2 mil deixaram o banco, só a saída de 1,3 mil pessoas em 2018 gerará economia anual de R$ 248,5 milhões.

“Bancos privados já fizeram esse movimento e os públicos estão reagindo à concorrência”, diz o analista da consultoria Lopes Filho, João Augusto Salles, ao lembrar que o setor tem mudado radicalmente com o uso maciço dos canais eletrônicos. Salles nota ainda que o movimento responde a uma necessidade do principal acionista do BB e Caixa: o governo.

A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Juvandia Moreira, diz que o enxugamento de pessoal tem gerado impacto no funcionamento dos bancos. “Gera sobrecarga para os empregados que ficaram e queda da qualidade do serviço ao cliente”, diz.

O ranking do Banco Central de reclamações é uma maneira de medir a qualidade do serviço bancário e, por esse critério, Caixa e BB pioraram. Em junho de 2016, a Caixa era o terceiro grande banco com mais reclamações e o Banco do Brasil ocupava a confortável sexta posição – era o melhor colocado entre os grandes.

Desde então, a Caixa chegou a liderar o ranking em alguns períodos e atualmente é o segundo pior avaliado. Já o BB passou de sexto a terceiro mais reclamado.

A insatisfação fica ainda clara com o detalhamento das reclamações recebidas pelo BC. Das 11,6 mil queixas do 2º trimestre contra a Caixa, mais de mil tratavam de “insatisfação com o atendimento prestado por agências”.

No caso do BB, das 8,7 mil reclamações no BC, 919 citavam o mesmo problema. Nos concorrentes privados, outros temas são os mais reclamados, como irregularidade em operações e oferta ou prestação de informação inadequada.

Caixa e BB
A Caixa diz que a posição do banco no ranking do BC não tem qualquer relação com o enxugamento da folha de pagamento ou o número de funcionários das agências.

Em nota, o banco informou que tem adotado ações que “visam aumentar a eficiência operacional, por meio da otimização e automação de processos internos, melhorias em sistemas e serviços e equalização da força de trabalho”.

O Banco do Brasil informou que “na maior parte dos períodos avaliados, ocupou posições melhores que seus principais pares no ranking do BC”. “O BB não ocupou em nenhum dos dois trimestres (de 2018) as primeiras posições, ficando apenas no terceiro lugar entre seus principais pares”, afirma a nota. (Fonte: Estadão)

 



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