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Antônio Domingos Bossolan – Presidente de 1970 a 1982

52 anos de lutas – décadas de 70/80…

Nossa maior preocupação na épo-ca foi resgatar a credibilidade e o prestígio junto a categoria e a comunidade, com sindicalização em massa e reuniões sema-nais – mini assembleias onde se discutiam condições de trabalho, reajustes salariais, formação sindical etc. O Sindicato foi inicialmente criado como uma associação, em 1957, e depois transformado em sindicato. Neste período, houve uma série de problemas. Não tínhamos comunicação como existe hoje, com telefone, Internet. Praticamente vivíamos isolados, tanto que nas principais greves que surgiram no país, como São Paulo e Rio de Janeiro, não tivemos participação.

Na época havia uma pressão violenta e uma espécie de ojeriza a qualquer tipo de reivindicação. A entidade que reivindicava direitos já era taxada de comunista. Não se tinha muito o que fazer, apenas voltar o trabalho para a mobilização, para a educação, informação do trabalhador bancário. Quando assumi o Sindicato o mundo vivia um momento complicado, em pleno regime militar.

Ainda assim, no período de ditadura, não ficamos inerte, houve nosso trabalho normal, mas sem qualquer vinculação com o Ministério do Trabalho, coisa que acontecia com outros sindicatos. Eles até reclamavam que nós bancários mantínhamos uma certa distância. Apesar de pouco dinheiro e arrecadação, reestruturamos todo o Sindicato. Formamos um quadro de associados, sempre visando a abertura política, e não deixando de lado a formação, a conscientização dos nossos direitos, participando de encontros nacionais e estaduais, os quais foram muitos, para elaboração e discussão de pautas de reivindicações salariais e outras questões de interesse da categoria.

É importante deixar claro que o sindicato não existe só em momentos de greve. A entidade tem todo um trabalho de reivindicação junto aos nossos representantes, deputados estaduais e federais, senadores. Enfim, o Sindicato é uma instituição de alto nível, dentre as nacionais e classe política. Nesta época, houve melhorias na sede administrativa, com a aquisição de três salas no Edifício Herman Lundgren e dinheiro em caixa para aquisição do terreno de 35.000 m2 onde se situa a sede campestre, orgulho de todos os bancários, não só pela sua beleza e funcionalidade, mas pelo seu alto valor de mercado.”

28 de agosto simboliza a história de luta da categoria

Os bancários marcaram presença na história das lutas sociais no Brasil desde o início do Século 20, mais precisamente na década de 1910. Foram pioneiros na mobilização, na organização de entidades sindicais e nas greves.

28 de agosto foi marcado como Dia do Bancário para lembrar a histórica greve de 1951, em São Paulo, que durou 69 dias apesar da forte repressão.

Em 1951, os bancários decidiram inovar na luta por reivindicações salariais e por melhores condições de trabalho. A mobilização da categoria seria unificada nacionalmente. As principais reivindicações pediam reajuste de 40%, salário mínimo profissional e adicional por tempo de serviço. As sucessivas tentativas de negociação fracassaram.

Os bancários recusaram o dissídio coletivo e, em São Paulo, realizaram paralisações simbólicas de minutos, dos dias 12 de julho a 2 de agosto. Os banqueiros acenaram com um reajuste em torno de 20%, mas os bancários de São Paulo mantiveram sua reivindicação.

No dia 28/08 de 1951, a categoria decidiu ir à greve para conseguir seus direitos. A greve foi deflagrada e logo duramente reprimida. O Dops prendia e espancava os grevistas. Em todo o Brasil a manipulação da imprensa levou os bancários de volta ao trabalho. Em poucos lugares houve resistência, pois a violência aumentava.

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